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Manual Educativo para a Negociação de Emissões
Um projeto conjunto da Associação de
Marketing de emissões http://www.etei.org · Tel. (414) 276-4485 · 611 E. Wells Street · Milwaukee, WI 53202 USA © 2000 Iniciativa Educacional para o
Comércio de Emissões |
Capítulo I) Introdução
Capítulo II) Exemplos práticos de Cap and trade
Capítulo III) Os fundamentos da negociação de emissões
A) Planejamento da conformidade
B) Formação do mercado
C) Execução
Capítulo IV) Gerenciamento do Portfólio
A) Por que estruturas sofisticadas?
B) Estruturas sofisticadas
C) Estruturas híbridas
D) O exemplo da Mississippi Power Company
Capítulo V) Mais Aplicações de cap and trade
A) RECLAIM
B) OTC NOX
C) Aplicações potenciais de cap and trade
Capítulo VI) Glossário
Apêndice 1) Permissão para imprimir ou reproduzir este material
Apêndice 2) Bibliografia na Internet
Apêndice 3) Manual da negociação de emissões
Capítulo I. Introdução
A abordagem cap and trade de emissões se resume em estabelecer um limite máximo para o total de emissões e a partir dai permitir que estas sejam livremente negociadas. A utilização do cap and trade para a negociação de emissões está mais centralizada no desempenho ambiental do que na conformidade tecnológica. Esta mudança de foco resulta em proteção maior ao meio ambiente uma vez que fontes de emissão sob algum tipo de regulamentação determinam o melhor meio de se atingir a conformidade considerando todos os aspectos envolvidos neste processo, inclusive os econômicos. Esta flexibilidade permite a fontes emissoras minimizar custos, incentivando o desenvolvimento de tecnologias e estratégias inovadoras no controle da poluição. Ainda que não seja apropriado para todos os casos, o cap and trade foi usado com êxito em programas no passado e poderia ser aplicado no combate a futuros problemas de poluição.
Como chegamos até aqui
Os primeiros programas de controle de poluição requeriam muitas vezes que as fontes poluidoras instalassem uma tecnologia específica ou atingissem taxas específicas de emissões, concentrações ou reduções percentuais em todas as instalações. A meta principal da Ata do Ar Puro (Clean Air Act) era proteger a saúde pública e o enfoque regulador foi o de escolher níveis justos de controle, tanto em termos de quantidade de poluição eliminada como em custos gerados para as fontes de emissão. Tipicamente as regulamentações continham expedientes para isentar fontes emissoras específicas, quando se estimava que o cumprimento da conformidade seria demasiado dispendioso ou fisicamente impossível.
O problema desse enfoque era que, à medida que a economia crescia, aumentava o número total de fontes emissoras e o número total de horas de operação. Como resultado, as regulamentações não davam mais conta do crescente aumento dos níveis de poluição e a qualidade do ar se deteriorou.
As regulamentações continuaram limitando a flexibilidade das fontes para emitir. Exigia-se que as fontes emissoras instalassem determinadas tecnologias ou alcançassem taxas ainda menores de emissão. Em certos casos, as regulamentações requeriam que não se instalassem fontes emissoras adicionais em áreas onde a qualidade do ar já era insalubre. Mas nem mesmo isso foi suficiente para controlar a poluição.
Um problema dessa abordagem foi que ela implicitamente designava um recurso escasso—a possibilidade de emitir poluentes—ao primeiro que chegasse, em vez de implantar uma estratégia que levasse em consideração o valor desse recurso. À medida que as cidades foram crescendo elas começaram a entender, pela perspectiva da qualidade do ar, que não podiam permitir que novas fontes emissoras se instalassem dentro de seus limites, nem que as fontes existentes se expandissem. Chegou-se à conclusão de que essa situação era insustentável e que as regulamentações tinham de mudar para aumentar a flexibilidade.
Os passos iniciais em direção a uma maior flexibilidade chegaram na forma de "bolhas" (bubbles) e "medidas compensatórias" (offsets). O primeiro destes é um tipo de mecanismo de conformidade que permite a uma instalação regulamentada com múltiplas fontes combinar o total de suas metas de emissão em uma única bolha. Os operadores da instalação podiam aplicar tecnologias de controle de poluição à qualquer fonte interna à bolha que tivesse as opções de controle de poluição mais efetivas em termos de custos, porém a quantidade total de emissões nesta bolha teria que ser menor do que o permitido se cada fonte de emissão cumprisse os requisitos convencionais.
As bolhas permitiram a primeira forma de comércio de emissões, através do intercâmbio entre instalações. As reduções e trocas eram negociadas caso a caso com os agentes reguladores. Ainda que oneroso, o sistema permitia pelo menos a expansão das fontes de emissão existentes. Novas fontes dentro da bolha podiam começar a operar sempre que fontes antigas reduzissem as quantidades conjuntas de poluição.
As medidas compensatórias (offsets) foram o próximo estágio do conceito de bolhas e foram usadas para permitir novo crescimento. Os offsets são gerados quando uma fonte realiza voluntariamente reduções de emissões permanentes. Estas reduções devem ser legalmente reconhecidas por um agente regulador. As fontes existentes podem remanejar seus offsets para novas fontes para cobrir o crescimento ou a redistribuição, com a aprovação de um regulador. Os offsets eram comumente chamados de Créditos de Redução de Emissões (Emissions Reduction Credits - ERCs)
Mesmo tendo gerado flexibilidade e economia de dinheiro, estes primeiros programas de troca eram difíceis de se administrar e tinham altos custos de comercialização. Os programas exigiam a conversão de tecnologia ou de requisitos de taxas de emissão em uma mercadoria comercializável como, por exemplo, uma tonelada de poluente emitido. Isso implicava em que todas as partes envolvidas (gerador de créditos de emissão, receptor de créditos de emissão e autoridade governamental) negociassem vários fatores, entre eles: o ponto de partida ou linha de referência (baseline), as futuras taxas de utilização para a geração de créditos e fontes receptoras e o tempo durante o qual a troca seria válida. Havia ainda a necessidade de se descobrir se as reduções por créditos teriam ocorrido caso não houvesse a troca. Além disso, todas as partes teriam que estar de acordo sobre como as emissões seriam quantificadas em ambas as fontes. Finalmente, também era necessário, às vezes, assegurar-se de que a qualidade do ar não pioraria com a transação.
Esse processo podia consumir recursos e tempo, e alterações nos acordos podiam exigir renegociações. O processo criou custos de transação significativos e limitou o número de trocas (e mais tarde a criação de ERCs) em circunstâncias onde havia benefícios econômicos claros e substanciais. Apesar dos esforços consideráveis para garantir que as transações não piorariam o meio ambiente, a maioria dos agentes reguladores da qualidade do ar e os ambientalistas permaneciam receosos com respeito ao comércio de emissões.
As emendas de 1990 à Ata do Ar Puro incluíram uma seção dedicada ao controle do ozônio, esclarecendo ainda mais o papel das medidas compensatórias (offsets) e a oportunidade de implementação das mesmas como também o potencial para outros comércios de emissões. Como resultado, os estados norte-americanos e outras entidades políticas trabalharam com a EPA para desenvolver programas que aumentassem a flexibilidade, mas que mantivessem a estrutura básica de um programa de comando e controle (command and control).
Ao mesmo tempo que ocorria essa evolução no comando e regulamentação de controle, desenvolvia-se um mecanismo de mercado distinto para as quotas de SO2 num âmbito regulatório completamente diferente—o de cap and trade. Uma seção particular das emendas à Ata do Ar Puro criou um programa de cap and trade para tratar as emissões de SO2, precursor da chuva ácida. O êxito desse programa influenciou o desenho de programas de controle recentes de NOx para tratar o ozônio ao nível do solo. Existe hoje um programa de cap and trade de NOx que funciona nos estados do nordeste dos EUA e um segundo programa está em fase de planejamento para um maior número de estados do leste. Esse modelo também está sendo avaliado pela sua aplicabilidade em outros tipos de problemas de poluição.
Onde estamos agora?
Cap and trade
estabelece metas firmes
O cap vai ao cerne do desafio de reduzir a poluição do ar. Quando se identificam os poluentes que danificam o meio ambiente ou ameaçam a saúde pública, um cap estabelece um limite firme e permanente, diminuindo a quantidade desses poluentes no mundo. Os caps estabelecem limites claros e quantificam o desafio para todos os participantes.Cap and trade
reconhece o valor onde ele existe
Quando uma usina de energia reduz sua poluição abaixo do limite definido, essa redução tem um valor para o meio ambiente. O cap and trade, sob o Programa Americano Chuva Ácida, cria um mercado para as quotas excedentes e reconhece assim esse valor.Cap and trade
permite que o mercado trabalhe
No Programa Chuva Ácida, foram estipulados limites claros às usinas de energia, por outro lado as regras davam aos operadores de cada usina liberdade para decidir como alcançar esses limites. Isso estabeleceu uma competição entre as usinas para desenvolver o sistema de redução de poluentes mais efetivo em termos de custos (além de ter criado uma concorrência entre os fabricantes de equipamentos para reduzir a poluição). Um mercado competitivo estimula a inovação, recompensa a eficiência e acelera o ritmo de desenvolvimento.Cap and trade
assegura um jogo limpo
No Programa Chuva Ácida, as usinas devem entregar um relatório trimestral à EPA, detalhando com precisão as emissões totais. A fim de proporcionar uma divulgação completa, a EPA disponibiliza esta informação na Internet para o acesso e revisão do público.
Sobre o Manual da ETEI
Este manual serve de ferramenta para todos os praticantes potenciais nos mercados existentes de comércio de emissões e para os que poderão surgir no futuro. A seção II apresenta a constituição do sistema de cap and trade nos Estados Unidos e como ele foi aplicado no programa para reduzir a poluição por dióxido de enxofre. Apesar de recente, esse programa de comercialização de emissões estabeleceu uma taxa de conformidade de 100%, com benefícios ambientais que superaram todas as expectativas.
As seções III e IV contêm informações introdutórias para os participantes sobre "como participar deste mercado". Estas seções incluem amplas explicações sobre como funcionam os programas de cap and trade existentes atualmente. Elas também trazem informação sobre como está constituído o mercado e que tipo de ferramentas de gerenciamento de riscos encontram-se disponíveis. O leitor ficará sabendo que a discussão sobre a formação do mercado, a estrutura das transações e o gerenciamento do risco do portfólio é aplicável à qualquer tipo de mercadoria (commodity), isto porque um programa bem desenhado de cap and trade pode transformar um programa de gestão ambiental em um mercado de commodities, sem perder de vista seu objetivo final: proteger o meio ambiente e a saúde humana.
Finalmente, a última seção fornece ao leitor uma visão geral de outros programas que utilizam a estrutura básica de cap and trade e estão sendo desenhados para tratar os riscos ambientais causados por smog e pelo ozônio ao nível do solo. Estes programas estão apenas em seu início, todavia os agentes reguladores e a indústria têm a esperança de que eles possam repetir os êxitos do sistema de cap and trade do Programa Chuva Ácida.
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Capítulo II. Cap and trade em ação
(A) O Programa Chuva Ácida dos EUA: um estudo de caso sobre o uso de cap and trade.
O problema
Os cientistas identificaram a causa do prejuízo contínuo ao meio ambiente como sendo os poluentes aéreos provenientes de usinas de energia e instalações industriais. Os dióxidos de enxofre (SO2) e os óxidos de nitrogênio (NOx) sofriam uma reação química na atmosfera quando se combinavam com a umidade. Na reação envolvendo o SO2 forma o ácido sulfúrico. Isto veio a ser conhecido como "chuva ácida". A fonte principal de SO2 e NOx são grandes usinas que queimam combustíveis fósseis para produzir energia, embora existam também outras fontes significativas.
O Programa
O Programa Chuva Ácida estabeleceu o cap em 8,95 milhões de toneladas anuais de SO2. O programa está implementado em duas fases. Na Fase I, que começou em janeiro de 1995, exigiu-se das maiores usinas geradoras de eletricidade - e que também eram as que mais emitiam SO2 - uma redução de suas emissões. Na Fase II, que começou no ano 2000, está sendo exigido de praticamente todas as usinas (utilities) que reduzam suas emissões à aproximadamente metade dos níveis alcançados em 1980, ou seja, ao limite (cap) de 8,95 milhões de toneladas. Neste programa, se exige que as fontes emissoras mantenham um número de quotas igual às emissões de cada ano. Os participantes têm a liberdade de escolher como atingir este objetivo (esta conformidade), sendo que no fim do ano devem entregar à EPA quotas suficientes para cobrir suas emissões. O não cumprimento desta determinação acarreta em multas imediatas, rigorosamente cobradas pela EPA.
Uma ferramenta efetiva para utilizar o poder do mercado foi encontrada no sistema de cap and trade. Para muitos, esse sistema é visto como modelo para outros programas ambientais. No Programa Chuva Ácida, o cap foi fixado rigorosamente e reduziu as emissões a níveis correspondentes à aproximadamente metade dos existentes em 1980. Dito de outra maneira, o cap reduziu em 50% os níveis de emissões de SO2 que as usinas teriam permissão para emitir.
O cap foi denominado em quotas (allowances) que foram distribuídas a todas as fontes emissoras afetadas. Rigorosamente falando, uma quota autoriza uma unidade dentro de uma usina a emitir uma tonelada de SO2 durante um determinado ano. As quotas são padronizadas e emitidas em anos de vigência (vintage year), ou seja, o primeiro ano em que a quota puder ser entregue à EPA para que cubra as emissões da fonte naquele ano. As quotas são também negociáveis, quer dizer, as quotas não utilizadas podem ser usadas em outros anos. Mais importante ainda é que as quotas são comercializáveis e qualquer indivíduo pode abrir uma conta para comprá-las ou vendê-las. Estes atributos fazem com que as quotas sejam tanto um ativo como uma commodity, fortalecendo assim o compromisso dos mercados financeiros.
| A chuva ácida em
números
8, 95 milhões de toneladas: número de quotas alocadas anualmente na Fase II 100% conformidade desde o início do Programa Chuva Ácida dos EUA 10-11 milhões de toneladas: projeção de quotas (toneladas) negociadas além dos níveis exigidos na Fase I US$4-US$8 bilhões de dólares: custos projetados da redução de emissões antes das emendas à Ata do Ar Puro US$1 bilhão de dólares: nova projeção de custos da redução de emissões depois do Programa da Chuva Ácida 25 milhões de toneladas: quotas transferidas em ATS entre unidades econômicas distintas, desde 1994 até 1998 1 milhão: Transações spot em 1998 1,3 milhões: transações em opções (option trades) em 1998 |
Embora o mercado de SO2 seja em essência parte de um programa regulador, ele não deixa de ter uma série de atributos de um mercado financeiro. Por exemplo, as instituições mercantis, como as casas de corretagem ou firmas de advogados especializadas em contratos surgiram com este mercado. As quotas são transferidas e trocadas entre as partes, criando um mecanismo de mercado eficiente.
As usinas podem escolher entre uma variedade de opções através das quais podem reduzir suas emissões, incluindo trocar combustíveis com altos teores de enxofre (principalmente carvão) por combustíveis com teores mais baixos (carvão com pouco enxofre ou gás natural), ou ainda, instalando equipamentos de controle de poluição. A comercialização de emissões permite ao mercado redistribuir os direitos de emissão de SO2 e com isso determinar uma fonte de redução mais eficiente e econômica.
Exige-se que as fontes executem comercializações de quotas através do Sistema de Rastreamento de Quotas da EPA (Allowance Tracking System - ATS). O ATS permite ao público revisar as transações, assim como as contas de todos os participantes do mercado. Implementos ao ATS têm permitido também à EPA reduzir a poucos minutos o tempo para completar as transações bem como o custo envolvido.
Ao fim de cada ano, cada unidade deve ter um número de quotas que seja ao menos igual ao de suas emissões anuais. As empresas que não cumprem isso estão sujeitas a severas multas e não têm como se eximir de suas responsabilidades para reduzir o total de suas emissões. As medidas incluem uma multa de US$2.000 por tonelada, reajustável pela inflação. Além disso, a empresa penalizada deve fornecer quotas compensatórias para o ano seguinte através da redução de sua própria quota ou apresentando à EPA uma proposta de redução de emissões.
Os resultados
Igualmente importante é o fato de o custo de proteger o meio ambiente através do Programa Chuva Ácida ter afetado a economia mais suavemente do que se havia antecipado. Os ganhos em termos de eficiência econômica obtidos através da flexibilidade no cumprimento das regras e da comercialização de "reservas" são considerados os principais responsáveis pela economia de custos. Estimou-se que as reduções custariam às empresas entre US$4 e US$8 bilhões anualmente quando o programa estiver completamente implementado, no ano de 2010. Todavia projeções mais recentes indicam que o programa custará anualmente cerca de US$1 bilhão, após sua implementação completa.
Para mais informações, visite os seguintes endereços na Internet:
http://www.epa.gov/acidrain/
http://www.epa.gov/acidrain/lawsregs/lraindex.htm
(B.) Uma História de Sucesso Programa Chuva Ácida: A Empresa Wisconsin Electric se Utiliza do Mercado
Uma experiência de uma grande companhia elétrica do meio-oeste americano fornece um exemplo de como funciona o mecanismo de cap and trade do Programa Chuva Ácida. A empresa Wisconsin Electric Power Company (WE), uma subsidiária da Wisconsin Energy Corporation, com sede em Milwaukee, usou o programa de cap and trade para reduzir emissões de SO2 e continua produzindo energia a baixo custo, promovendo benefícios tanto econômicos como ambientais para seus clientes e para a comunidade.
"Com o cap and trade, uma empresa mediana em Milwaukee, WI, reduziu emissões em mais de 160.000 toneladas acima das nossas exigências. Não acredito que isso teria ocorrido sem o cap and trade".
"Com o cap and trade, pode-se melhorar muito o meio ambiente, sem que isso implique em custos significativos para os acionistas, sem comprometer postos de trabalho e sem causar um crescimento econômico insustentável. É uma situação em que todos ganham".
Richard A. Abdoo, Presidente e Gerente Geral da Wisconsin Electric
No princípio, a WE dedicava recursos consideráveis ao planejamento da conformidade. No início da década de 1990, a empresa listou uma série de cenários, analisando as projeções para as vendas de energia e para a utilização das usinas num futuro prolongado. Programas de computador estimaram quanto operaria cada uma das unidades afetadas da empresa e com isso foram calculadas as emissões resultantes de SO2 e NOX. Essas projeções foram então comparadas às quotas alocadas no Programa Chuva Ácida.
Depois da análise das cifras iniciais em 1994, a WE se viu com um excedente de 200.000 a 250.000 quotas para os cinco anos da Fase I. O excedente de quotas provinha principalmente das medidas de controle de poluição que a empresa havia implementado previamente. Entretanto, a empresa estava com um déficit anual de 30.000 quotas para a Fase II, começando no ano 2000.
O excedente de quotas para a Fase I pode ser mantido em reserva ou vendido no mercado de emissões. Além disso, a empresa teve diversas alternativas para poder cumprir os requisitos da Fase II. Estas incluíam: conversão para carvão com baixo teor de enxofre, instalação de tecnologia de controle de poluição na planta; modificações na maneira de despachar várias unidades geradoras de eletricidade e recorrer ao mercado para comprar quotas. Depois de comparar opções, a WE descobriu que a troca de combustível (por um carvão com baixo teor de enxofre) era a opção mais econômica e a que teria o menor impacto sobre a conta de seus clientes. Estimou-se que a troca de combustível reduziria em aproximadamente de 10.000 a 20.000 toneladas as emissões de SO2. Levando tudo isso em consideração, a WE determinou que a estratégia mais efetiva em termos de custos seria vender o excedente de quotas na Fase I e comprar quotas adicionais na Fase II, conforme fosse necessário.
No seu depoimento ao Comitê Econômico do Congresso dos EUA. (Joint Economic Committee), em julho de 1997, a WE afirmou que o saneamento do déficit através de meios alternativos, como a instalação de lavadores de gases (scrubbers) em pelo menos duas unidades, teria sido caro demais. Ao escolher uma via onde se combinava a troca de combustível e a estratégia de compra e venda de quotas, a empresa estimou que havia economizado US$100 milhões.
Com um excedente de mais de 200.000 quotas da Fase I para vender e a decisão de entrar no mercado para sanar o déficit da Fase II, a WE pôs em prática uma estratégia de comercialização de emissões. A empresa venderia seu excedente de quotas enquanto simultaneamente estaria comprando quotas para a Fase II. Esta técnica aplicou os princípios do time weighting (ponderação de tempo), no qual a empresa realiza regularmente transações envolvendo montantes menores, num período de tempo prolongado. Esse método elimina os preços mais altos e os mais baixos, buscando o preço médio.
De maneira geral, o programa foi muito bem sucedido e a WE cumpriu 100% das metas de conformidade, de maneira eficiente e a um custo efetivo.
Capítulo III. Os Fundamentos do Comércio de Redução de Emissões
O objetivo da ETEI e deste manual é compartilhar a experiência de "como fazer" para fortalecer a participação dos interessados nos sistemas de cap and trade. As duas próximas seções do manual são uma introdução às ferramentas básicas do mercado e também fornecem informação sobre como usar algumas das estruturas avançadas que estão disponíveis. Esta seção discute os fundamentos do comércio de emissões, usando o Programa Chuva Ácida como exemplo, e explica como participar do mercado de emissões usando as ferramentas às quais nos referimos anteriormente. Inclui ainda uma discussão sobre planejamento da conformidade, formação do mercado, execução de uma troca básica e acordo final. A seção seguinte começa explicando algumas das ferramentas mais avançadas disponíveis para o gerenciamento de um portfólio, tais como contratos de forward, swaps, opções e estruturas híbridas. É dado então o exemplo de uma empresa que entra no mercado de SO2 e realiza uma transação com emissões, para demonstrar como foram utilizadas algumas ferramentas em situações do mundo real.
(A). Planejamento da Conformidade (Compliance)
As companhias de energia elétrica (usinas) têm hoje uma gama de opções para o controle da poluição, mas escolher as alternativas mais adequadas, tanto do ponto de vista econômico como ambiental, pode ser uma tarefa difícil. O processo de planejamento de uma empresa é complexo e deve levar em consideração tanto a demanda por energia como as emissões associadas com a geração dela. A partir daí a empresa precisa avaliar suas opções de controle de poluição, incluindo a participação no comércio de quotas.
Estas variáveis são influenciadas por um grande número de fatores, o que permite o surgimento de um impressionante leque de permutações no planejamento da conformidade. Todavia, destrinchar o processo de decisão para chegar a seus componentes básicos, aplicar técnicas econômicas consagradas e usar recursos de informática são medidas que podem ajudar a traçar um curso para a conformidade. A experiência de algumas empresas pode ser útil e suas perspectivas seguem abaixo.
Estratégia de longo prazo
Comitê Diretivo
de Ar Puro da
Pepco
Fonte: Pepco |
Independentemente de como se constitui o grupo de trabalho, é essencial que ele estipule uma estratégia abrangente de longo prazo, que por sua vez seja suficientemente flexível para permitir um ajuste semanal ou mesmo diário. Além de envolver decisões fundamentais relacionadas à infra-estrutura, o controle de emissões consiste, essencialmente, em promover mudanças na maneira como uma empresa gera energia. Uma vez que os investimentos em usinas de energia são de grande porte e que por isso podem levar 10 anos para serem planejados, aprovados e gerados, um plano de conformidade precisa ter uma visão abrangente de como esses recursos vão ser utilizados. A Pepco por exemplo opera com um plano de conformidade de 10 anos de duração.
Um plano de longo prazo é elaborado por todo o grupo de planejamento da conformidade, incluindo o especialista em comércio de emissões que informa sobre oferta e demanda de quotas no mercado. Esse especialista agrega valor ao plano, delineando estratégias de troca de emissões que podem auxiliar no gerenciamento dos riscos de custos da conformidade. Além de avaliar o efeito dos mercados de comercialização de quotas, o grupo gerará projeções de emissões baseando-se na análise de diversos fatores que podem afetar a demanda de geração de energia. Os fatores de demanda que esse grupo tende a observar mais detidamente incluem:
Além das variáveis por parte da demanda (demand side), as equipes encarregadas da conformidade devem também considerar as variáveis por parte da oferta (supply side). As empresas devem determinar que usinas estão em operação e com que tipo de combustível. Por exemplo, uma empresa proprietária de várias usinas geradoras, incluindo uma planta nuclear, poderia decidir incrementar a geração de energia numa planta de combustível fóssil, enquanto fecha sua planta nuclear para reabastecê-la de combustível, resultando em mais emissões.
Análise quantitativa
Ao comparar as emissões estimadas com as quotas que possui, a empresa pode se dar conta de que está enfrentando uma das duas situações seguintes: a empresa pode ter menos quotas que as emissões estimadas, o que faz com que ela esteja com um déficit de quotas (posição vendida); ou pode ter mais quotas que o estimado para suas emissões, o que faz com que esteja com superávit de quotas (posição comprada). A indicação da posição da empresa como estando deficitária (vendida) ou superavitária (comprada) determinará sua atuação no mercado, enquanto desenvolve estratégias para enfrentar a situação.
| Programas de
Computador Para
o Planejamento da Conformidade
Pepco Modelo desenvolvido internamente, que prevê as emissões e otimiza os lucros líquidos enquanto administra a conformidade. O modelo permite simulações múltiplas de várias opções de conformidade, baseado em dados de emissões em tempo real, previsão de vendas e climáticas e outros parâmetros geradores. O modelo computa o aspecto econômico e a viabilidade de várias opções de conformidade para tomada imediata de decisão. WEPCO Modelo de otimização de integrais mistas lineares para PC; capaz de observar períodos de 20 anos ou mais; auxilia na determinação de cenários de conformidade de menor custo. As Empresas do Sul Desenvolvida para rastrear as quotas e imprimir relatórios de fim de ano para a EPA. Fonte: Pepco, WEPCO, The Southern Companies |
Medidas para a Redução de emissões
Se a empresa está deficitária (vendida), ela tem que decidir se reduz as emissões nos meses seguintes para nivelá-las com as quotas que possui, ou se compra quotas no mercado. Novamente, a equipe multidisciplinar estudará os cenários, usando uma análise de sensibilidade para explorar o desempenho em relação às emissões e aos custos associados às várias opções de controle de poluição. O especialista em comércio de emissões desempenha um papel importante nesse processo. Ele informa o grupo do planejamento da conformidade sobre o panorama comercial atual e os preços do mercado, assim como as tendências de oferta e demanda de quotas. O grupo então compara esses dados, que são compilados de diversas fontes, incluindo índices e cifras citados por outros participantes do mercado, com as outras estratégias disponíveis no plano de conformidade. No mercado atual de SO2 estão disponíveis várias estratégias de redução de emissões, por exemplo:
Escolha do combustível:
este é talvez um dos mecanismos de controle de poluição mais utilizados. As companhias de energia elétrica podem passar de um combustível com alto grau de enxofre a um de baixo grau, como por exemplo, o carvão de baixo nível de enxofre e o gás natural, e com isso algumas vezes conseguir reduções dramáticas das emissões de SO2. Além disso, com acesso melhorado à oferta de carvão com baixo teor de enxofre no oeste dos EUA, isso tem se tornado uma opção atraente e economicamente viável para muitas destas usinas.Energia comprada/Mercados de energia:
há casos em que as usinas podem comprar e oferecer a seus clientes uma energia que é mais limpa que a sua própria. As fontes das quais a usina compra a energia têm que ter, contudo, quotas para cobrir qualquer emissão que resulte dessa transação. Com isso se preserva a integridade do cap.Despacho de energia elétrica:
o Programa Chuva Ácida nos Estados Unidos prevê fortes incentivos às usinas elétricas para que as mesmas incluam os custos ambientais do controle de emissões de SO2 nos cálculos financeiros para operar cada unidade geradora. Este custo de emissão de SO2 é às vezes denominado "externalidade ambiental" (Environmental Dispatch Adder). Conceitualmente, ao adicionar esse custo de SO2 à equação do despacho de energia elétrica, são cumpridas duas tarefas: Enviar o sinal correto para que as unidades que emitem menos funcionem primeiro, assumindo que todas as outras variáveis sejam iguais; Tentar refletir o "verdadeiro" custo de geração ao incluir-se o custo de conformidade ambiental no preço da energia que se vende no mercado. Portanto, o despacho ambiental deve enviar o sinal correto para alcançar a otimização ao nível mais baixo de emissão e ao preço mais baixo para os consumidores.Tecnologia de controle da poluição:
este é talvez o método mais direto e mais caro de controle de emissões. Podem-se aplicar certas tecnologias a uma unidade com a finalidade de eliminar as emissões, no momento em que os poluentes passam pela chaminé, contudo a maioria das decisões sobre investimentos em dispositivos de controle da poluição são de longo prazo e demandam grande quantidade de recursos. Portanto oferecem pouca flexibilidade para adaptação às mudanças de condições no mercado de curto prazo.Comercialização de emissões:
o manual abordará melhor as especificidades deste mecanismo de mercado mais adiante, mas ele se tornou um elemento chave do processo de conformidade. Um programa de troca de emissões aberto e transparente fornece às usinas informações valiosas sobre preços com as quais se pode julgar outras medidas de controle interno. O programa permitiu ao mercado encontrar as medidas mais econômicas de controle da poluição – possivelmente as que não poderiam ser encontradas dentro do próprio sistema da usina. As usinas empregam o comércio de emissões de várias formas para assegurar a conformidade e administrar bem seus custos.A equipe responsável pelo planejamento da conformidade avalia cada opção com base no custo por quota, o que ajudará a determinar o curso de ação a longo prazo. A estratégia final de longo prazo buscará, provavelmente, obter a redução necessária de emissões ao menor custo possível, implementando primeiramente aquelas opções que forem operacionalmente factíveis e menos onerosas. O plano final poderia incluir uma combinação das medidas de redução anteriormente mencionadas, levando em consideração outros fatores comerciais que afetam a usina.
Ajustes a curto prazo
A usinas revisam continuamente suas projeções de demanda, ajustando-se ao aumento ou redução da venda de energia, alterações nos requisitos do sistema interligado e às alterações em sua posição a longo prazo. Além disso os ajustes das projeções de demanda devem ser feitos levando em consideração as mudanças de comportamento do clima. Um dos fatores mais importantes que afeta a demanda das usinas continua sendo o clima, e as equipes de planejamento da conformidade estão constantemente avaliando as condições climáticas para a temporada seguinte (ou a próxima semana), devido ao seu impacto sobre a demanda de energia.
Em reuniões semanais, as equipes de planejamento da conformidade criam análises quantitativas desses fatores de oferta e demanda e desenvolvem diferentes cenários para as emissões. Esses cenários são comparados então com as projeções iniciais do plano de longo prazo. De acordo com a necessidade, as equipes farão novamente uma análise de sensibilidade de várias estratégias de redução de emissões para guiar as ações de curto prazo no sentido da conformidade.
Não Perca de Vista o Princípio Básico
Este tipo de atividade de planejamento se relaciona com o tratamento do controle da poluição como outro elemento da produção de energia. Encontrar a solução de menor custo para a redução de emissões é vital e analisar os custos e benefícios de várias medidas de conformidade tem um elemento significativo de compensação. A maior parte das usinas desenvolve internamente programas para auxiliar a computação de prognósticos de oferta e demanda. Estes programas podem avaliar as opções individuais, assim como combinações de medidas de controle de poluição. Alguns podem até rastrear dados de emissões e realizar automaticamente os relatórios exigidos pela EPA para o Programa Chuva Ácida.
Não importa quão sofisticados sejam esses programas, seus fundamentos sempre se baseiam em uma simples teoria econômica. A curva de custos, uma ferramenta econômica básica, pode ajudar a decidir sobre a conformidade para uma unidade individual. Os conceitos por trás das curvas de custo são explicados a seguir:
| Curva de custos
A curva de custos é uma ferramenta econômica fundamental. Trata-se na verdade de uma simples curva de oferta que ilustra a média de custos para se atingir um dado nível de redução de emissão. Na figura 1, o eixo horizontal representa o total acumulado de toneladas de SO2 removidas por uma determinada estratégia de conformidade. O eixo vertical é o custo de realização de uma redução, calculado em dólares por tonelada removida. Para explicar o funcionamento da curva de custo médio, vamos considerar uma empresa hipotética que tem três fontes emissoras de SO2 . Para este exemplo, cada uma das três fontes tem a possibilidade de mudar para carvão com baixo teor de enxofre, para gás natural ou instalar um lavador de gases para o controle de SO2. Para fins ilustrativos, vamos supor um custo de US$100 por tonelada para a mudança para carvão com baixo teor de enxofre, de US$250 por tonelada para a mudança para gás natural e para a purificação, de US$500 por tonelada. Estes custos têm propósito exclusivamente ilustrativo. Valores reais de controle podem variar de fonte para fonte, dependendo da configuração específica da planta, da disponibilidade de opções de combustível e de muitos outros fatores que vão além do escopo deste manual. Dados esses limites, o ponto A na curva da Figura ilustra que uma redução de 5.000 ton. de SO2 pode ser atingida a um custo de aproximadamente US$100 por tonelada. Essa estratégia envolve converter a fonte 1 para carvão com baixo teor de enxofre sem fazer nada nas fontes 2 e 3. O ponto B atinge uma redução acumulada de 10.000 ton. de reduções de SO2 envolve uma estratégia em que a fonte 1 é convertida para carvão com baixo teor de enxofre, a fonte 2 é convertida para gás natural e nada é feito com a fonte 3. O custo médio para se atingir 10.000 ton. de redução no ponto B é de US$150 por tonelada. No ponto C, para se atingir um total de 30.000 ton. de redução, a fonte 1 é convertida para carvão com baixo teor de enxofre, a fonte 2 é convertida para gás natural e a fonte 3 é depurada por um lavador de gases. Atinge-se um total de 30.000 ton. de reduções a uma media de US$300 por tonelada. Isto está condensado na Tabela 1, abaixo.
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Tabela 1
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Estratégia A |
Medida de controle |
Toneladas removidas |
Custo por tonelada (em US$) |
Custo total (Custo por ton. x ton. removidas -em US$) |
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Fonte 1 |
Carvão com baixo teor de enxofre |
5.000 |
US$100 |
US$500.000 |
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Fonte 2 |
Nenhuma |
0 |
0 |
0 |
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Fonte 3 |
Nenhuma |
0 |
0 |
0 |
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Total toneladas removidas estratégia A |
5.000 |
Total custo estratégia A |
US$500.000 |
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Custo médio estratégia A |
US$100 por ton. |
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Estratégia B |
Medida de controle |
Toneladas removidas |
Custo por tonelada (em US$) |
Custo total (Custo por ton. x ton. Removidas -em US$) |
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Fonte 1 |
Carvão com baixo teor de enxofre |
5.000 |
US$100 |
US$500.000 |
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Fonte 2 |
Mudança para gás natural |
5.000 |
US$200 |
US$1.000.000 |
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Fonte 3 |
Nenhuma |
0 |
0 |
0 |
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Total toneladas removidas estratégia B |
10.000 |
Custo total estratégia B |
US$1.500.000 |
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Custo médio estratégia B |
US$150 por ton. |
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Estratégia C |
Medida de controle |
Toneladas |
Custo por |
Custo total |
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Fonte 1 |
Carvão com baixo teor de enxofre |
5.000 |
US$100 |
US$500.000 |
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Fonte 2 |
Mudança para gás natural |
5.000 |
US$200 |
US$1.000.000 |
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Fonte 3 |
Lavagem de gás |
20.000 |
US$375 |
US$7.500.000 |
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Total toneladas removidas estratégia C |
30.000 |
Custo total estratégia C |
US$9.000.000 |
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Custo médio estratégia C |
US$300 por ton. |
| A seguir considere o
mercado de quotas. A Figura 2 sobrepõe um custo hipotético de US$175
por tonelada. Utilizando a curva de oferta como guia, uma usina pode
decidir como agir.
Se o objetivo é atingir 30.000 ton. de reduções acumuladas, podemos ver que o Ponto C está bem acima do preço de mercado para quotas. A estratégia C não seria a opção menos onerosa de conformidade e, pela lógica econômica, não seria aplicada. Seria considerada assim a estratégia B. Enquanto esta opção atinge 10.000 ton. de redução a um custo médio de US$150 por tonelada, nota-se que o componente dessa estratégia que converte a fonte 2 para gás natural tem um custo de US$200 por tonelada. Esse custo, denominado "controle de custo marginal", é maior que o de quotas no mercado aberto. Assim, do ponto de vista de custos, a estratégia B parece ser a menos onerosa, mas em realidade não é já que o custo marginal de um de seus componentes excede o custo de quotas no mercado. Neste exemplo a implementação da estratégia A representa a estratégia de menor custo e também converter a fonte 1 para carvão com baixo teor de enxofre, obtendo-se 5.000 ton. de redução a um custo de US$100 por tonelada. Para obter o restante das 30.000 de redução exigidas, 25.000 quotas teriam que ser compradas no mercado a US$175 por tonelada. O custo total para atingir essa estratégia é de $162,50 por tonelada. Embora um sistema de usina real consista de muito mais plantas com muito mais opções de controle do que este simples exemplo, a metodologia permanece a mesma. Os planejadores constróem curvas de custo médio para ajudar a ilustrar como os custos de conformidade estão relacionados às reduções cumulativas. No entanto, antes de implementar qualquer plano, deve-se investigar o custo marginal dos componentes de uma determinada estratégia relativamente ao preço de mercado de quotas.
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| Metodologia EPA para
classificação de transferências de quotas particulares
reportadas
ao ATS
Inter-usinas
Intra-usina
Realocação
De um Corretor/Operador para uma usina
De uma Usina para um Corretor/Operador
De um Fornecedor de Combustível para uma Usina
De uma Usina para um fornecedor de Combustível
Outros
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Tendo avaliado as necessidades de conformidade e ponderado sobre as opções do mercado, o próximo passo é preparar-se para ingressar no mercado de emissões. Isso começa com a abertura de uma conta. O Programa Chuva Ácida exige que os participantes se registrem no Sistema de Rastreamento de Quotas (Allowance Tracking System, ATS) da EPA. O ATS é administrado pela Divisão de Chuva Ácida da EPA e é o registro oficial das transações de quotas de emissões e balanços de contas.
Como mencionado anteriormente, uma característica importante do sistema de transação de emissões do Programa Chuva Ácida, é a disponibilidade de informação completa e transparente sobre as quotas que são comercializadas. A possibilidade de todos os participantes e, é claro, do público em geral, de rastrear o movimento das quotas, é vital para o êxito do programa. No centro desse esforço está o ATS, que é um banco de dados que mantém os registros oficiais de todas as quotas à medida que elas trocam de mãos até, mais tarde, serem retiradas do sistema.
O ATS designa um número de série único para cada quota. É possível rastrear uma determinada quota ao longo da sua existência, desde sua alocação inicial, através de cada troca, e ao longo do caminho até sua retirada. O número de série consiste de 12 dígitos, os primeiros quatro indicam o primeiro ano em que a quota pode ser usada para propósitos de conformidade - em outras palavras seu ano de vigência (vintage year). Por exemplo, a quota 2000-01234567 é do ano de vigência 2000 e não pode ser incluída por uma usina no seu relatório de conformidade até o ano 2000. As quotas que não são utilizadas no seu ano de vigência podem ser "mantidas em reserva" ou utilizadas no futuro.
As transações envolvendo quotas são rastreadas e classificadas pela EPA. A agência coleta informações sobre o comprador e o vendedor e os números de série das quotas comercializadas, no entanto a EPA não registra o preço das quotas, ela delega essa tarefa ao mercado, que pode processar essa informação mais eficientemente. Da mesma forma, pelo fato de as empresas não serem obrigadas a informar a transferência de quotas à EPA até que as mesmas sejam utilizadas para cumprimento da conformidade, muitas transações ainda não foram registradas no ATS, mesmo que acordos particulares já tenham sido feitos. A EPA tampouco rastreia as trocas de opções e outras transações que não lhe tenham sido informadas.
O ATS tem dois tipos de contas: contas unitárias e contas gerais. A conta unitária contém quotas que foram emitidas inicialmente para as fontes das quais se exigiu que participassem do programa. Além do mais, as contas unitárias rastreiam as quotas conforme elas vão sendo comercializadas, utilizadas para fins de conformidade e finalmente "aposentadas".
As contas gerais são parecidas com as contas unitárias no que se refere ao rastreamento de transações. Entretanto, a EPA não ajusta essas contas durante a conciliação do período anual de cumprimento. Essas contas podem ser abertas gratuitamente por qualquer pessoa que deseje participar no comércio de emissões - incluindo as fontes que já possuam contas unitárias. As quotas nas contas gerais não estão sujeitas à dedução de quotas para cobrir emissões reais e podem ser mantidas indefinidamente.
Operadores, grupos ambientalistas, cidadãos e outras entidades operam através das contas gerais no ATS. Contas gerais são abertas através da apresentação à EPA de um formulário de Informação sobre Conta Corrente de Quotas (Allowance Account Information). Assim que a agência recebe o formulário, envia a confirmação da nova conta e o postulante está pronto para comercializar.
Mercado de Balcão
Uma das maneiras básicas para a transação de quotas de emissão é o mercado de balcão (over the counter market). As transações nesse mercado unem diretamente o vendedor ao comprador, ao invés de movimentar as transações através de um sistema centralizado. As trocas de ações listadas na bolsa, ao contrário, são feitas por especialistas que asseguram a negociação eficiente de cada ação. O mercado de troca de emissões funciona com a participação de compradores, vendedores, corretores da bolsa, market makers (empresa corretora ou indivíduo que mantém preços firmes de compra e venda de quotas) e operadores, cada um deles utilizando um vínculo direto para negociar quotas.
Os preços de compra e venda de emissões são variáveis e determinados a cada transação individual. Devido ao formato de mercado de balcão, não há uma estrutura de registro centralizado das ofertas atuais de quotas. Informações sobre preços podem ser obtidas junto às fontes do mercado como corretores da bolsa, operadores e através dos índices publicados por jornais da área.
Os compradores e vendedores de emissões são indivíduos, organizações ou corporações que têm uma posição no mercado. Suas motivações variam. Alguns participam desta comercialização visando alcançar a conformidade regulatória, outros para abater quotas e outros ainda simplesmente para obter lucro. Cada comprador e vendedor tem um representante identificado publicamente. Isso lhes permite conferir e assegurar a legitimidade da transação.
Há três maneiras de participar do mercado de emissões de balcão: transações bilaterais, transações através de corretores e compra de quotas no leilão anual.
Transações Bilaterais
Este enfoque baseado na relação entre os participantes é, contudo, empregado geralmente por participantes ativos que têm uma ampla experiência, alem de contatos no mercado. A menos que se tenha essa presença no mercado, é difícil avaliar completamente as opções de comercialização sem uma assessoria especializada. Um grupo de participantes no mercado que tem essa presença é o dos operadores. É provável que os operadores sejam o contraponto do profissional designado para o comércio de emissões em trocas bilaterais, mas muitas vezes seu perfil mercadológico difere do profissional.
Os operadores põem seu próprio dinheiro em risco no mercado. Sua motivação em participar no mercado das emissões é praticamente a mesma que teriam para entrar no mercado de ações ou de commodities: o lucro. Raras vezes os operadores tomam alguma decisão baseando-se nas necessidades de conformidade.
Já que os operadores se dispõem a se posicionar em qualquer uma das direções do mercado, eles ajudam a gerar liquidez. Sua habilidade para gerar um fluxo de acordos faz de alguns deles market makers, desempenhando um papel similar ao do especialista da bolsa de valores na negociação de ações. Liquidez refere-se ao volume de troca no mercado que permite aos compradores encontrar vendedores com preços aceitaveis para ambos. Sem uma liquidez sustentada, o mercado pode ter informações de preços inadequadas, desencorajando a participação no mercado de emissões.
Os operadores atuam numa perspectiva de longo prazo, buscando lucrar com o movimento do mercado – tanto para cima como para baixo. Eles lucram com oportunidades de arbitragem através da compra e venda de quotas, para captar o valor do spread, isto é da diferença entre o preço de compra e venda.
Corretores
O papel prático do corretor também permite que este se envolva em transações estruturadas que podem consumir mais tempo que um liquidação financeira normal ou transações de opções. Negócios que envolvem swaps complexos de longo prazo de vigência, troca com poluentes mistos ou de cross-commodity, requerem em geral um corretor que possua o conhecimento técnico necessário à transação bem como a capacidade de conduzir o negócio até sua conclusão. O lucro dos corretores advém das comissões cobradas pelas transações realizadas.
Leilão anual de quotas
Para isso as emendas à Ata do Ar Puro estabeleceram um sistema de leilão desenhado para assegurar uma medida de liquidez do mercado de quotas e fornecer informação valiosa sobre preços. O leilão se realiza anualmente no último dia de março e é conduzido pela Bolsa de Chicago (Chicago Board of Trade). Para abastecer o leilão com quotas, a EPA separa uma reserva especial de aproximadamente 2,8% do total de quotas alocadas para todas as unidades. Durante a Fase I, quando as quotas alocadas totalizarem 5,7 milhões anualmente, 150.000 quotas estarão disponíveis anualmente no leilão. Durante a Fase II, quando o total chegar a 8,95 milhões de quotas anuais, 250.000 quotas serão destinadas anualmente para o leilão.
A venda começa com o maior preço oferecido e continua até que todas as
quotas sejam vendidas ou até que as ofertas tenham terminado. Créditos
comprados no leilão antecipado (advanced auction) não podem ser usados
até sete anos depois de sua compra. A EPA não pode fixar um preço mínimo
pelas quotas no leilão. Os resultados finais são publicados pela EPA no seu
site na Internet. Para mais informações, consulte os seguintes endereços:
http://www.epa.gov/acidrain/atsdata2.html
http://www.cbot.com/
http://www.epa.gov/acidrain/auctions/aucmain.html
Tendo proposto a estratégia comercial e reunido informações sobre outros participantes, o novato no mercado está pronto para executar transações. De fato, os rápidos avanços do mercado de SO2 encurtaram substancialmente a curva de aprendizagem dos participantes novatos. Apenas uns poucos anos de funcionamento do programa e já há um sistema de comércio completamente desenvolvido, um fluxo livre de informações e um bom volume de transações. Começando com a mais básica das transações, aquelas no mercado à vista, esta seção explica as questões de contratação que devem ser consideradas quando se fecha um negócio e como informar a transação às autoridades reguladoras.
Negócios no Mercado à Vista
Antes de entrar no mercado, é sensato avaliar as necessidades individuais com relação a parâmetros de preços e volumes de compra ou venda. Se o participante está vendido, isto é, apostando na baixa dos preços das quotas, e decide realizar uma transação para cobrir a posição, a execução deverá considerar a melhor estratégia levando em conta o volume da transação e o preço a ser pago. Inversamente, se o participante possui as quotas, ou seja, está com posição comprada, usará as projeções de planejamento da conformidade para ter uma idéia de quantas quotas oferecer no mercado e a qual preço mínimo de venda.
Uma vez determinado o limite de preço tanto de compra quanto de venda, o participante está apto para iniciar a comercialização das quotas. Isso pode ser feito através de um corretor ou bilateralmente. Independente da direção escolhida, o próximo passo é comunicar seu preço ao mercado. Operadores com ordens de compra e venda (standing bids and asks) são abordados primeiro para determinar seu interesse na compra ou na venda de quotas a um preço determinado. Conforme os participantes fazem contrapropostas de preços alternativos, o mercado vai se formando. A partir desse ponto o participante pode revisar seu preço para aproximar-se do mercado e receber outra contraproposta de compra ou venda. Esse processo continua até que o participante encontre o preço no mercado que satisfaça suas necessidades. Uma vez encontrado esse preço, o participante está preparado para fechar e selar o acordo. O primeiro passo é uma confirmação verbal ou a assinatura de um documento que indique sua disposição em fechar negócio a esse preço e começar a trabalhar os detalhes do contrato. (Nota: nesse ponto o corretor revelará as identidades das partes).
Risco de crédito
O sistema de trocas de emissões estabelece que, embora as quotas sejam outorgadas pelo governo, não há nenhuma garantia, por parte dos agentes reguladores, da capacidade dos vendedores de prover esses créditos. Portanto, é de responsabilidade do comprador determinar a valia dos créditos do vendedor. Esta pode ser medida através de agências avaliadoras de crédito como Standard & Poor, DCR ou Fitch IBCA. Geralmente isso é feito antes de escolher a parceria para um intercâmbio bilateral e pode ser estipulado, através de um corretor, que as ofertas de compra e venda só sejam consideradas quando as partes reunirem os critérios para crédito preestabelecido. Em todo o caso, o risco de crédito é tratado diretamente na fase contratual da transação.
Contratos-Padrão
Apesar da documentação ter um caráter padronizado, as partes contratantes devem mesmo assim ficar atentas a certas questões básicas. O mais importante é a capacidade da outra parte de cumprir o que lhe cabe, seja pagando pelas suas quotas, seja entregando as quotas vendidas.
Na maioria dos casos, os contratos contêm precauções contra omissão de qualquer das partes. Muitas vezes, a capacidade de pagar é medida por uma agência avaliadora de crédito (credit rating agency). Essas avaliações independentes são geralmente incorporadas ao processo de contratação. Os contratos utilizam-se freqüentemente de proteções tais como: estabelecimento de linhas de crédito para respaldar a transação; reunião de garantias da matriz da contraparte ou garantia de recursos da matriz.
Uma vez executado o contrato, é o momento de deixar que as quotas e o dinheiro troquem de mãos. Na maioria das vezes, o vendedor de quotas entregará ao comprador um formulário de transferência de quotas (ATF). Este é um documento padrão da EPA que confirma o movimento de quotas de uma conta para outra. O comprador tem que preencher o ATF e remetê-lo à EPA, que incluirá a informação ao seu sistema de rastreamento. O pagamento, que pode ser em dinheiro ou em outra forma, para liquidação imediata de uma transação, é consumado dentro de três dias úteis e a EPA confirma a transferência das quotas contratadas para o ATS, por via eletrônica ou pelo correio. A EPA está se orientando mais para transações eletrônicas do que em papel.
Em relação aos requisitos administrativos para um sistema de comércio de quotas, este manual se concentra nos mecanismos para abrir contas de quotas e para efetuar a transferência de quotas. Esses requisitos se aplicam a todos os participantes no mercado e não somente à indústria regulamentada. É claro que empresas com obrigações de conformidade dentro do Programa Chuva Ácida também têm que apresentar outros formulários e relatórios à EPA. Para mais informações sobre esses requisitos, veja a página da web sobre Chuva Ácida no endereço: www.epa.gov/acidrain.
Ou consulte ainda os seguintes sites:
http://www.standardpoor.com/
http://www.dcrco.com/
http://www.ibca.com/
http://www.emissions.org/
Capítulo IV. Administração do portfólio
(A.) Por Que Estruturas Sofisticadas de Negociação?
Até agora discutimos basicamente um tipo de estrutura de comércio de emissões, a liquidação imediata. Como se poderia esperar, este é apenas o começo. Os mercados financeiros têm comercializado commodities por mais de um século e durante esse período instrumentos cada vez mais complexos têm se desenvolvido. À medida que as estruturas ganham aceitação no mercado, elas freqüentemente são modificadas para criar outras novas, num processo de inovação contínuo que busca satisfazer as exigências de participantes cada vez mais sofisticados. O fator motivador por trás da criação de estruturas avançadas no mercado de commodities é sempre criar novas e melhores maneiras de gerenciar o risco.
Gerenciamento do Risco
Para exemplificar o comércio de emissões, consideremos uma usina de geração de energia elétrica com expectativa de estar com posição vendida de quotas no ano 2002. A empresa está determinada a cobrir a posição no mercado de emissões e calcula que a expectativa de preço para as quotas de 2002 é de US$150. Essa empresa corre o risco de que o preço das quotas de 2002, que hoje é de US$150, suba substancialmente no futuro, aumentando o custo que teria que pagar para comprar suas quotas.
Por outro lado, uma empresa geradora de energia que tenha um excesso de quotas em 2002 enfrenta um risco oposto ao do exemplo anterior. Se a empresa tem muitas quotas de 2002, é claro que ela gostaria de ver o preço subir para mais de US$150. Mas a empresa também espera que o preço não baixe e reduza o valor das quotas que possui. Ainda que durante a primeira metade de 1999 o mercado de troca de SO2 tenha sido relativamente estável, o mesmo tem demonstrado uma volatilidade considerável desde o princípio, tornando bastante real o risco de preço.
Custo Médio
Todos os participantes no mercado de emissões concordariam que, embora cada um tenha sua própria estimativa, ninguém sabe com certeza a direção seguida pelos preços das quotas. Em certo sentido isso coloca o mais experiente dos participantes no mercado de emissões em pé de igualdade com os iniciantes. O que realmente os distingue é a maneira como utilizam as ferramentas disponíveis no mercado para compensar o que não podem prever exatamente sobre os preços.
Como é praticamente impossível comprar quando o mercado está no nível mais baixo e vender no topo, pode-se utilizar a estratégia de custo médio. Esta estratégia permite à empresa conseguir resultados consistentes ao estender a compra ou venda de quotas durante um período de tempo. Este procedimento que limita o risco de que os preços mudem drástica e desfavoravelmente, consiste em comprar ou vender pequenas somas ao melhor preço disponível no momento. Com essa estratégia, o preço médio se aproximará do preço médio anual.
Surgimento de Estruturas Sofisticadas de Negociação
A maior utilização de estruturas sofisticadas de negociaçõa pode também ser atribuído à crescente experiência do participante médio do mercado de emissões. Um aumento crescente da atividade no mercado contribui para a liquidez e depende da especulação financeira. A maior parte das transações visa assegurar a conformidade, mas um crescente número destas é estruturado para captar valor no movimento do mercado, assim como ocorre nos mercados de commodities.
(B.) Estruturas Avançadas
A seguir, esboçaremos algumas das estruturas financeiras mais amplamente usadas.
Contrato de Forward
Forward
de curto prazo, Forward de longo prazo
O mercado criou algumas inovações à estrutura de forward para satisfazer as diversas necessidades. Compradores que querem fixar um preço através de um forward – mas querem fazê-lo dentro de um ano – podem negociar um forward de curto prazo (short term forward). Geralmente, a remessa e o pagamento são agendados para dezembro, quando as empresas realizam seu balanço de emissões.O forward de longo prazo (long-term forward) de modo geral estende a data de liquidação em vários anos, e esse tipo de liquidação é contratado adicionando-se o custo de carry do vendedor. Essencialmente, o cálculo do custo de carry significa que o comprador pagará ao vendedor um prêmio sobre o custo real das quotas para compensar o atraso no pagamento e na entrega. Num mercado de commodities por exemplo, as transações de forward têm preços cotados, muito similares às transações à vista. Contudo, o mercado forward de emissões é demasiado ilíquido para ter ordens de ofertas de compra e venda (standing bids and asks), e assim no lugar disso se utiliza o cálculo do contrato forward.
Fórmula de cálculo do forward
[ (preço atual da quota) X (taxa de empréstimo de quotas)] + preço atual da quota = preço de contrato forwardPor exemplo, se o preço das quotas do ano de vigência (vintage year) 2001 de SO2 está avaliado em US$100 em julho de 1999, mas uma empresa está interessada em comprar quotas para entrega em julho de 2001, o preço contratado seria de US$122,5.
i.e.[ (US$100/quota) x (7%)] + US$100/quota = US$107/quota
(juros compostos anualmente por três anos: US$122,5.)
Este prêmio demonstra como o mercado estabelece os preços para entregas e pagamentos futuros, o que geralmente incorpora o custo para o vendedor da taxa de juros de carregamento (carry) mais um prêmio avaliado pelo mercado, criando assim um cálculo conhecido como taxa de empréstimo de quotas (allowance loan rate). O mercado assume que os preços subirão entre 6% e 8% ao ano, extendendo-se por sete anos. A taxa é composta anualmente. No exemplo anterior, a taxa usada é de 7%, mas na realidade ela refletirá o que o mercado produzir2. Portanto, a diferença, em termos de custo para o vendedor, que mantém quotas de vigência 2001 para entrega em julho de 2001, em vez de vendê-las imediatamente, é de aproximadamente US$22,50 para cada quota. Quando o contrato se estende para depois de 2004, esse custo diminui devido à incerteza regulatória.
Swaps
Como foi visto no contexto da conformidade para o Programa Chuva Ácida, os swaps são capazes de usar o mercado para distribuir as quotas eficientemente. Tomemos por exemplo a usina geradora A que tem bastante quotas de SO2 do ano 2000, mas está carente em 10.000 quotas do ano 2002. Por outro lado, a usina geradora B está carente de quotas do ano 2000 mas tem um excedente de pelo menos 10.000 quotas do ano 2002. Através de uma transação de swap, a empresa A pode trocar seu excedente de quotas do ano 2000 pelo excedente de quotas do ano 2002 da empresa B.
Swap Imediato
de Ano de Vigência
No exemplo anterior, pode-se assumir que as duas usinas farão a transação de swap ao mesmo tempo, contudo de modo geral o swap não se faria na base de um para um. Se a transação fosse feita em dinheiro, o valor das quotas de vigência 2000 seria mais alto que os de anos posteriores, refletindo as diferenças de preço no mercado entre vigências mais antigas e mais recentes. Usa-se então uma porcentagem para calcular essa diferença que se baseia geralmente no ano de vigência mais antiga e como este se relaciona com o valor inerente de uma vigência mais recente.Fórmula de swap de ano de vigência (vintage year swap formula)
{ [ diferença percentual entre anos de vigência x (ano de vigência mais recente – ano de vigência mais antigo)] x quantidade de quotas do ano de vigência antigo} + quantidade de quotas do ano de vigência antigo= quantidade de quotas swap de ano de vigênciaPor exemplo, usando de novo a ilustração acima, a empresa A daria à empresa B 10.000 quotas de vigência 2000 em troca de 10.700 quotas de vigência 2002.
i.e. { [ 3.5% x (2002 – 2000)] x 10.000} + 10.000 = 10.700
O prêmio pago pela empresa B reflete a porcentagem de 3,5% ao ano entre anos de vigência, calculada com base no diferencial de caixa entre vigências e o cotado no mercado.Swaps diferidos – ou empréstimos
Em casos em que as partes não desejem realizar uma transação imediata de swap, elas podem optar por um swap diferido, inserindo um atraso de vários meses ou anos na equação. Embora esses tipos de acordos sejam menos freqüentes, eles podem ser implementados para permitir às partes flexibilidade nos prazos de entrega.As partes podem estruturar transações nas quais uma entrega quotas no dia do encerramento da transação e a outra transfere quotas de volta dentro de 175 dias. Apesar dessa transação tomar a forma de empréstimo, as quotas devolvidas com freqüência serão diferentes das originalmente transferidas. O swap diferido de quotas foi cofstruído especificamente para ser encerrado dentro de 180 dias. Os swaps que se realizam em menos de 180 dias são considerados uma transação não sujeita a impostos.
Esses swaps de 175 dias significam na realidade um empréstimo de quotas a curto prazo e como em qualquer empréstimo é cobrada uma taxa de juros. A porcentagem cobrada no mercado atualmente para esse tipo de transação é de 0,75% a 1% a cada 175 dias para swaps de vigência do mesmo ano. A porcentagem aumenta à medida que a diferença entre os anos de vigência aumenta.
Swaps diferidos que se estendam para além de 180 dias são calculados de maneira ligeiramente diferente e eles sim têm muito mais a aparência de um empréstimo. Nesse tipo de transação, uma parte empresta quotas à outra por um período de um a cinco anos. Os juros correntes ou a taxa de empréstimo caem, numa variação de 1,5% a 2% ao ano, para quantidades iguais ou superiores a 25.000 quotas.
Fórmula de taxa de empréstimo do swap (Deferred swap loan rate)
[juros ou taxa de empréstimo x número de quotas] + número de quotas = Quantidade de quotas de um swap diferido de 180 diasPor exemplo, se a parte A transfere 100.000 quotas do ano de vigência 2000, receberá um ano mais tarde 102.000 quotas de vigência 2002 da parte B.
i.e. [ 2% x 100.000] + 100.000 = 102.000
Os juros se compõem anualmente. As 2.000 quotas extras dadas por B equivalem aos juros de um empréstimo. Há um risco de crédito específico associado com essa transação e que afeta o tomador do empréstimo. Este pode certamente adotar medidas para reduzir o risco, tais como exigir o depósito de garantias ou estabelecendo posições específicas de recursos legais.
A motivação desses tipos de transações depende, é claro, da perspectiva dos envolvidos. Quem toma emprestado muitas vezes está tentando cobrir imediatamente sua necessidade de quotas a curto prazo e está disposto a trocar anos de vigência posteriores para suprir sua demanda atual para cumprir a conformidade. Por outro lado, uma empresa com excesso de quotas poderá tentar maximizar o valor da sua carteira de quotas com juros acumulados como numa estrutura de empréstimo. Uma vez que as transações não se submetem ao ATS da EPA até que sejam efetivadas, freqüentemente os empréstimos não aparecem no sistema. É de responsabilidade das partes contratantes manter o registro das quotas devidas ou sob obrigação de outros. Swaps diferidos ou empréstimos são cada vez menos comuns. Em grande parte, o objetivo desses instrumentos é facilmente - e às vezes mais efetivamente - satisfeito com opções.
Opções
| Opções de compra:
Direitos e deveres de compradores e vendedores Comprador: pode comprar quotas a um preço de exercício (strike price) na data de vencimento. Esta atitude pode ser tomada por uma empresa que está vendida em quotas e quer proteger-se do risco de alta dos preços. O risco se limita ao valor pago pelo prêmio. Vendedor: dá ao comprador o direito de comprar e recebe um prêmio. O vendedor tem a obrigação de vender as quotas a um preço de exercício, a critério do comprador. Essa atitude pode ser tomada por uma empresa que tem bastante quotas (posição comprada), está satisfeita com o preço e está usando o prêmio de uma opção de compra coberta para maximizar o valor do seu estoque. |
Opções de compra (call)
Conforme a data de vencimento se aproxima, o comprador da opção precisa decidir como atuar. Se o preço do mercado para quotas é mais alto que o preço de exercício da opção, o comprador da opção exercerá seu direito para comprá-la pelo preço de exercício. Se o preço do mercado para as quotas é igual ou menor que o preço de exercício, o comprador da opção simplesmente entrará no mercado e comprará as quotas no mercado de balcão. Neste caso, o prejuízo associado ao aumento de preços limita-se ao prêmio pago pelo comprador da opção.
| Opção de venda:
Direitos e deveres de compradores e vendedores Comprador: pode vender quotas a um preço de exercício na data de vencimento. Essa medida pode ser adotada por uma empresa que tem um excedente de quotas e quer se proteger do risco de baixa nos preços (o que é às vezes chamado de downside price risk). O risco se limita ao valor pago pelo prêmio. Vendedor: o vendedor de opções put dá ao comprador o direito de vender quotas e recebe um prêmio. Vale ressaltar que sob esse acordo, o vendedor assume a obrigação de comprar as quotas por um preço predeterminado, a critério do comprador . Essa medida pode ser adotada por uma empresa vendida em quotas, satisfeita com o preço de exercício e que esteja usando o prêmio de uma opção de venda coberta para minimizar o risco de alta nos preços para a venda de quotas. |
Opção de venda (Put)
No centro das estruturas avançadas discutidas acima está o gerenciamento do risco do preço. O risco do preço pode variar dependendo da perspectiva adotada e, portanto, requer estratégias de gerenciamento variadas. As inúmeras ferramentas disponíveis no mercado de emissões podem ser usadas em combinações variadas e em diferentes momentos, de maneira a executar uma ampla estratégia de mercado para limitar tanto o risco de alta como de baixa. Não há limite para as combinações dessas ferramentas e, com o crescente volume e sofisticação dos mercados de emissões, novas combinações e variações emergem freqüentemente.
O uso criativo de opções de compra e venda é um exemplo. As ferramentas básicas de opções de compra e venda estão sendo combinadas e utilizadas de maneira criativa para gerenciar o risco de forma cada vez mais sofisticada. Estas opções permitem ao comprador limitar o risco do preço em uma direção, seja o risco de alta para comprar quotas ou o risco de baixa para vender quotas. Entretanto, as estruturas híbridas podem mitigar o risco do preço em ambas as direções ao mesmo tempo.
A seguir são relacionadas algumas estruturas híbridas básicas que estão sendo empregadas atualmente pelos participantes do mercado. Essas combinações devem dar uma idéia do potencial de adaptação ao uso dessas ferramentas.
Collars
Aqui vai um exemplo. Para evitar o risco de que os preços do mercado ultrapassem US$200 por quota, uma usina adquire uma opção de compra com este preço de exercício por um prêmio de US$10. Ao mesmo tempo, ela pode não estar disposta a vender quotas por menos de US$150. Neste caso ela vende uma opção de venda a um preço de exercício de US$150, por um prêmio de US$10. Se o preço subir além de US$200, a empresa exerce a opção de venda, comprando a US$200 e economizando dinheiro. Ou, se o preço baixa para menos de US$150, a empresa vende a US$150 e obtém lucro. Com essas transações a empresa protegeu seu risco de preço, e as opções se anularam mutuamente - isso é um collar de custo zero.
Strangles
Para limitar esse risco, a empresa pode executar um strangle que vem a ser outra combinação das opções de compra e venda que envolve tanto a compra de opções de call como opções de put a diferentes preços de exercício. Para se proteger contra o risco de alta no preço das quotas no caso de precisar comprar quotas no futuro, a empresa pode comprar uma opção de call com um preço de exercício mais alto que o preço do mercado spot atual de quotas. Isso é chamado de opção de compra fora do dinheiro (out-of-the-money call option). Ao mesmo tempo, a empresa pode se proteger do risco de baixa no preço das quotas no caso dela possuir um excedente destas. Isso pode ser feito comprando-se uma opção de venda com um preço de exercício mais baixo que o preço atual de quotas no mercado spot. Isso é denominado opção de venda fora do dinheiro. Geralmente, as opções fora do dinheiro são vendidas por prêmios mais baixos que os de opções com preços de exercício mais próximos do preço atual de mercado. Como um collar, o strangle permite à empresa se proteger dos riscos do preço, mas também permite que ela economize dinheiro em opções.
Venda de Opções de Compra Cobertas (Selling Covered Call Options)
Se os preços se mantêm imóveis ou caem, o comprador de uma opção de call simplesmente procurará o mercado para comprar quotas, enquanto a empresa recolhe o prêmio e retém a propriedade das quotas. Por outro lado, se o preço do mercado sobe acima do preço de exercício, o mais provável é que o comprador da call faça uso da opção e compre as quotas contratadas. A empresa coletou o prêmio e transferiu as quotas. Em geral, a empresa não vende opções para todas as suas quotas e portanto pode vender suas quotas adicionais no mercado a um preço de mercado mais alto. Ou a empresa pode vender outra opção de compra (call) passando pelo mesmo processo.
Vendendo Opções de Venda Cobertas (Writing Covererd Put Options)
Se os preços das quotas se mantêm estáveis ou tendem a uma alta, é provável que o comprador da opção de venda coberta venda suas quotas no mercado de balcão, onde pode obter preços maiores que o preço de exercício da opção de venda coberta. A empresa, como vendedora da opção, simplesmente recebe o prêmio relativo a esta última. Se os preços começam a baixar, o comprador da opção exercerá a opção de venda coberta e venderá quotas à empresa ao preço de exercício. Nesse caso, a empresa geralmente tem mais quotas para comprar, tendo também a oportunidade de vender outra opção de venda (e recolher outro prêmio) ou adquirir estoque a preços de mercado mais baixos.
Outras Questões
Este Manual tentou dar aos leitores uma introdução ao funcionamento básico do sistema de cap and trade e às várias ferramentas usadas no comércio de redução de emissões. Os participantes podem usar a criatividade para combinar essas ferramentas para definir estratégias visando cumprir requisitos de conformidade, gerenciar o risco ou obter lucro.
Entretanto há outras considerações que podem influir na decisão de uma pessoa ou de uma empresa de comercializar emissões ou na escolha da estrutura de troca apropriada. Estas questões estão além do âmbito deste Manual, porém elas incluem entre outros, os seguintes fatores:
As implicações em termos de impostos de cada transferência de emissões:
isso muda conforme a estrutura da transação. O negociador de emissões deve consultar profissionais da área de impostos para determinar as implicações específicas de suas transações.Outras limitações regulatórias:
a maioria dos participantes no mercado de SO2, por exemplo, são usinas sob regulamentação governamental, dirigidas em parte, por comissões de empresas concessionárias de serviços (public utility commissions). O agente no comércio de emissões deve determinar quais autoridades reguladoras podem participar nas decisões de comercializar quotas e então trabalhar com elas para determinar quais limitações – em caso de haver alguma – se aplicam às suas atividades comerciais.
(D.) O Exemplo da Mississippi Power Company
Na primavera de 1999, as previsões de emissões da Southern Company indicavam que uma de suas subsidiárias em operação, a Mississippi Power Company, não teria quotas suficientes para atingir a conformidade no ano 2000. Isso se deveu a diversos fatores, mas principalmente ao fato de que as emissões revisadas de SO2 das usinas do grupo estavam mais altas que o projetado, portanto estariam com uma carência de aproximadamente 10.600 quotas no ano seguinte. O pessoal responsável pela conformidade ambiental da Southern Company realizou uma análise quantitativa visando determinar a melhor estratégia assegurar que a Mississippi Power continuasse dentro da conformidade. Depois de compor cenários envolvendo reconfiguração das usinas, conversão de combustível e aplicação de tecnologias de redução de emissões, a empresa concluiu que adquirir quotas no mercado de emissões seria a estratégia a curto prazo mais eficiente em termos de custos.
Mas como a Southern participaria no mercado? A empresa poderia buscar intercâmbios bilaterais com outros participantes do mercado, incluindo empresas e operadores. A Southern, a maior geradora de eletricidade dos EUA, percebeu que nem sempre obtinha dos operadores o melhor preço no mercado de balcão, porque estes sempre visualizavam os "cofres cheios" da empresa. Como resultado, a Southern recorreu a um corretor da bolsa, Natsource, LLC, beneficiando-se com isso de informações detalhadas do mercado e mantendo seu anonimato.
Estrutura
Investigando
Fixando o Preço
Estabelecendo a Oferta de Compra
Negociando o Preço
Fechando o Negócio
Contrato
Capítulo V. Mais Aplicações de Cap and Trade
Até agora, o Manual discutiu os fundamentos de cap and trade e a participação no mercado de emissões no contexto do Programa Chuva Ácida americano. O resto do Manual fornecerá um panorama de outros dois programas que utilizam as referências do sistema de cap and trade. Adicionalmente, comentará duas aplicações potenciais dos princípios de cap and trade.
(A.) Cap and trade Como Parte da Solução para o "Smog" na Cidade de Los Angeles, Califórnia.
O smog se tornou um elemento da vida cotidiana da região de Los Angeles, na Califórnia. Ele é conhecido por afetar crianças, pessoas idosas e asmáticas e estudos recentes também o relacionam com doenças respiratórias de longo prazo e com a diminuição da capacidade pulmonar. Ele constitui uma das maiores preocupações com a saúde por parte dos residentes da área.
A região está sofrendo pressões para atingir os padrões nacionais de saúde até 2010. Por isso as indústrias e o comércio foram encarregados de reduzir suas emissões de óxidos de nitrogênio (NOx ) e óxidos de enxofre (SOx) que produzem "smog". As reduções nas emissões devem chegar a 80% até o ano 2003.
Busca de uma Solução Baseada no Mercado
Fontes fixas na área de Los Angeles que emitem mais de quatro toneladas de NOx e SO2 anualmente, têm suas emissões limitadas para preservar os benefícios ambientais. Esses caps decrescem gradualmente para assegurar uma melhora contínua na qualidade geral do ar. Com o cap declinante, foram definidas para as fontes três metas de emissões para NOx e SO2 que incluíam uma alocação inicial em 1994, o ponto médio das reduções em 2000 e alocações finais em 2003. Para o ano de 2003, as emissões de NOX das fontes do RECLAIM devem ser reduzidas em 75% e as de SO2 em 61% em todas as áreas participantes.
Como no Programa Chuva Ácida, as fontes podem conservar créditos reduzindo as emissões a um nível abaixo de sua meta. Esses créditos RTCs (do inglês RECLAIM Trading Credits - RTCs) se convertem então em um ativo completamente transferível e que pode ser comercializado livremente. A transparência é vital para o êxito desse programa. O SCAQMD mantém um registro e um mural aberto ao público onde são listados os dados de emissões, alocações e atividades que visam a conformidade de cada instalação.
O cumprimento da conformidade para fontes afetadas vem em um ciclo escalonado de 12 meses. No fim do ano, operadores de fontes afetadas fazem seu relatório anual ao SCAQMD, mas tendo ainda o benefício de um período de conciliação de dois meses. Durante esse tempo, uma instalação com RTCs insuficientes para cobrir suas emissões pode entrar no mercado de RTC para compensar seu déficit. De maneira similar ao Programa Chuva Ácida, multas pesadas incentivam fortemente a conformidade. As instalações que falharem em cumprir com os requisitos têm créditos (RTCs) deduzidos de sua conta no ano seguinte e estão sujeitas a uma multa em dinheiro.
Com um programa completamente operacional de cap and trade funcionando na área de Los Angeles por mais de 5 anos, os resultados já são visíveis. As emissões de SO2 e NOX das fontes afetadas foram reduzidas com êxito mas ainda há muito por fazer. O benefício mais impressionante do programa RECLAIM foi seu efeito fortemente positivo no impacto econômico das reduções. Inicialmente, imaginava-se que os créditos de NOX poderiam ser trocados a aproximadamente US$25.000 a tonelada, porém, o preço recente do RECLAIM é de aproximadamente US$640 a US$5.560 por tonelada. No começo do programa, o SCAQMD projetou uma economia anual nos custos de conformidade relativos à regulamentação de comando e controle a uma média de US$58 milhões ou 42%, no entanto, enquanto os custos de RTC são muito mais baixos que as projeções, a economia real tem sido bem maior. Apesar desses ganhos, os benefícios ambientais e o teste econômico verdadeiro para o programa RECLAIM ocorrerá no ano de 2000, quando a próxima série de reduções for outorgada.
Para mais informações, veja a seguinte página na Internet:
http://www.aqmd.gov/
(B.) OTC NOx – Programa Regional de Ozônio
Como demonstra o programa federal de SO2, a chuva ácida apresenta um conjunto complexo de problemas para os políticos, os agentes reguladores, os ambientalistas e para a indústria norte-americana. Quando comparado com o controle de NOX, porém, o programa de SO2 parece relativamente claro.
Os NOX contribuem com o problema da chuva ácida nos EUA e também com os problemas de ozônio ao nível do solo no leste e em certas áreas densamente povoadas do resto do país. Em relação à chuva ácida, a preocupação com os NOX é a questão da acúmulo. Os efeitos do poluente se acumulam com o tempo e podem afetar o meio ambiente de maneira duradoura. Em relação ao ozônio, a preocupação é com os períodos críticos, nos quais o acúmulo de emissões de NOX